A revolução tecnológica tem alterado radicalmente grande parte das facetas da nossa vida – e a agricultura não é exceção. Hoje, é cada vez mais comum ver sensores ou drones como ferramentas essenciais no arsenal dos engenheiros agrónomos e agricultores.

O número de startups à volta do mundo que têm criado produtos tecnológicos  destinados a tornar a agricultura mais eficiente, precisa e produtiva têm aumentado exponencialmente desde 2013. E, com elas, também os valores do investimento no setor têm registado um aumento significativo.

Este movimento tem um nome – tecnologia agrícola, ou AgriTech.

Agricultura mais eficiente para salvar o mundo

2014 foi o ano em que a AgriTech verdadeiramente levantou voo, com 1,92 mil milhões de euros de investimento distribuídos por 264 negócios, de acordo com a AgFunder. No grupo dos investidores em AgriTech contam-se empresas como a Google Ventures, a Microsoft e a Bayer.

São várias as tendências globais que permitiram ou precipitaram o surgimento e a popularidade da tecnologia agrícola, de acordo com a Deloitte: uma população em crescimento – a ONU prevê que em 2050 alcance os 9,73 mil milhões; as inovações tecnológicas (desde veículos autónomos a dispositivos com conetividade); a exigência, pelos consumidores, de práticas mais sustentáveis; entre outros fatores.

A questão demográfica é particularmente relevante. O grande incremento da população mundial significa que em 2050 a agricultura terá que produzir quase mais 50% do que produzia em 2012 para alimentar todos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Por isso, especialistas e empresas concordam: é urgente tornar a produção agrícola mais eficiente, produzindo mais com menos recursos.

De apps a robôs

As empresas de tecnologia agrícola dividem-se em vários segmentos, procurando resolver problemas diferentes que se enquadram na grande problemática da produtividade na agricultura. De acordo com a AgFunder, estas são as áreas mais importantes:

Software de gestão agrícola, sensores e IoT

Aplicações de gestão e monitorização agrícola que procuram diminuir gastos de água ou prevenir pragas e doenças, sensores que fornecem dados em tempo real sobre as culturas e a conetividade entre o software e os dispositivos, originando dados que ajudam à decisão, pertencem a um dos segmentos da AgriTech. O mercado global do software de gestão agrícola deverá valer 1,58 milhões de euros em 2023, enquanto que o mercado dos sensores poderá chegar aos 235,2 milhões em 2025.

A Agroop é uma das start-ups portuguesas que tem inovado neste setor em Portugal, com o lançamento de uma app de monitorização e de um sensor.

Veja o vídeo: Como a Louricoop poupou 32% em água e energia

Produção agrícola controlada

É aqui se se inserem os sistemas de agricultura vertical, hidroponia, aquaponia e quintas interiores inteligentes, que são mais recentes no panorama da AgriTech.

Robótica e automatização

Drones, robôs e outras tecnologias de automatização da agricultura fazem parte de mais um segmento da AgriTech. Drones armados com câmaras hiperespectrais, por exemplo, conseguem captar imagens dos campos que funcionam como mapas de saúde das culturas, mostrando áreas problemáticas. No que toca a robótica, existem várias empresas com soluções inovadoras: robôs que fertilizam as culturas, que podam videiras ou que removem plantas invasoras.

Bioenergia e biomateriais

Nesta área, o destaque vai para a produção de agroquímicos, bioplásticos, bioenergias, bioengenharia baseada em micróbios que tornam as plantas mais resistentes, entre outros.

Tecnologia alimentar e alimentos inovadores

Uma vez que são necessários 8 kg de grãos para produzir um kg de carne, há várias empresas que estão a desenvolver soluções para substituir a proteína animal. Falamos de imitações de carne e ovos à base de plantas – proteína sustentável.

É oficial: a AgriTech veio para ficar.

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