Quando lê o termo blockchain, é provável que pense imediatamente em Bitcoin e noutras criptomoedas. De facto, até agora, esse tem sido o uso mais comum desta tecnologia. Mas este é apenas o princípio da história: a blockchain tem muito para oferecer para além de moedas digitais. O seu potencial para transformar uma miríade de indústrias – dos serviços financeiros à agricultura – é imenso.

Com a notícia de que a Louis Dreyfus Company, um dos gigantes norte-americanos de comercialização de produtos agrícolas, completou um negócio com blockchain – algo que nunca tinha acontecido no setor agrícola – é impossível negar: a blockchain aplicada à agricultura veio para ficar.

Mas, antes de mais, do que se trata? A blockchain baseia-se na tecnologia chamada Distributed Ledger Technology (DLT) ou shared ledger. Esta permite que vários elementos numa rede (por exemplo: produtores e distribuidores) registem e partilhem informação de forma segura, transparente e rápida. O registo das informações é visível por todos os elementos, que as aprovam ou rejeitam. Quando aprovadas, as informações entram no registo como “blocos” (blocks) e organizadas numa “corrente” (chain) cronológica que não pode ser alterada.

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Aplicações práticas: do agricultor ao consumidor

A blockchain pode ter diferentes aplicações nas várias etapas da cadeia de distribuição do setor agrícola. As principais áreas onde pode atuar são a transparência relativamente à origem, ao percurso e às práticas de produção associadas aos produtos, os pagamentos e as transações na cadeia de distribuição.

Um dos exemplos mais simples das aplicações práticas da blockchain é a possibilidade de traçar a origem e percurso dos produtos alimentares de forma instantânea. A exigência, por parte dos consumidores, de alimentos orgânicos ou fair trade tem vindo a aumentar, mas, frequentemente, é difícil verificar a origem dos produtos. Com a blockchain, este processo será muito mais rápido e eficaz. Para o consumidor final isto vai significar que, ao fazer a leitura do código de barras de um produto hortofrutícola no supermercado, consegue saber de onde veio o mesmo e por onde passou.

Na mesma lógica, a blockchain também será útil para facilmente resolver casos de lotes de produtos estragados. Uma consulta à informação contida na blockchain permitirá identificar o lote estragado e retirá-lo do mercado, reduzindo número de potenciais lesados.

Blockchain e Internet of Things, uma parceria promissora

A utilização da blockchain em conjunto com a Internet of Things é uma possibilidade interessante que promete tornar a agricultura mais eficiente. Vejamos esta situação como exemplo: um sensor recolhe dados sobre determinadas culturas e envia-os automaticamente para a blockchain. Esta informação pode consistir, por exemplo, em nível de pH e conteúdo de açúcar. Tendo acesso a esta informação, o produtor sabe quando deve colher a cultura. Depois, consultando a blockchain, as outras entidades integradas na mesma sabem que a cultura foi colhida e em que condições.

A automatização é, efetivamente, um dos grandes benefícios da articulação destas tecnologias. Por exemplo, um agricultor utiliza um sensor para determinar a humidade do solo onde estão plantadas culturas. Quando a humidade do solo chega ao limite crítico, o sensor, através de um smart contract (protocolo de computador que executa automaticamente tarefas predefinidas), liga o sistema de rega. Com isto, os produtores conseguem automatizar a maior parte dos processos e, assim, diminuir os custos.

Com a agricultura cada vez mais digital, os consumidores mais exigentes que nunca e a necessidade de uma agricultura mais eficiente, este é o momento para os agentes do setor agrícola apostarem na tecnologia da blockchain.

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Com Zhanna Kozhedubova