O setor agroalimentar vive um dos seus momentos mais desafiantes: pressão crescente para maior sustentabilidade ambiental, eventos meteorológicos extremos mais frequentes, procura em crescimento constante e rutura frequente das cadeias de abastecimento.
Em simultâneo, a regulamentação crescente é o reflexo de uma sociedade que exige cada vez mais transparência, qualidade e processos de produção sustentáveis a todos os produtores agrícolas.
Felizmente, vivemos em simultâneo a era da Agricultura 4.0, que representa uma oportunidade única para os empresários agrícolas aproveitarem as novas tecnologias para darem uma resposta eficiente aos novos desafios.

A herança tecnológica

Num estudo recente da IDC sobre o setor alimentar, percebe-se que 40% das empresas estão reféns de sistemas de informação fragmentados e tecnologicamente obsoletos, nos quais proliferam os desenvolvimentos específicos, aplicações externas que não comunicam entre si, e, como consequência, dados desatualizados, redundantes e de difícil interpretação.
Nestas empresas, o sistema de informação central – o ERP – serve pouco mais do que as necessidades de faturação e contabilidade. Qualquer alteração aos sistemas de informação é complexa, arriscada e com um custo elevado, condicionando a evolução da empresa.

O que muda com a Covid-19?

Esta pandemia está a antecipar muitas mudanças que já estavam em curso e outras que ainda se encontravam numa fase embrionária e que ganharam novo sentido perante uma crise sanitária sem precedentes na nossa geração. Na verdade, a história parece mostrar que grandes eventos globais, como guerras e pandemias, não criam novas tendências, mas aprofundam e aceleram as existentes – a Agricultura 4.0 é um caso paradigmático.

Os argumentos da Agricultura 4.0

As empresas mais bem preparadas serão aquelas que dispuserem de um Sistema de Informação Inteligente, capaz de processar, analisar e atuar sobre grandes volumes de dados gerados pela “internet das coisas” (IOT), em tempo real. Com a IOT, a multiplicidade de dispositivos e equipamentos conectados em permanência, desde o campo até aos pontos de distribuição e venda, permitirão a recolha imediata de dados sobre os solos, a ocupação de recursos e preferências de consumo.

Neste contexto, o ERP será um instrumento fundamental na gestão dos processos operacionais e na criação de transparência na cadeia de produção e abastecimento, garantindo controlo total da qualidade e rastreabilidade alimentar, desde a colheita até ao ponto de consumo.

Benefícios de um ERP otimizado para o setor agrícola

Na Agricultura 4.0, o ERP é o fator de união e integração de todas as tecnologias de campo com as operações logísticas, comerciais e financeiras.
A consolidação de dados numa plataforma única confere uma visão 360° do negócio, permitindo atuar mais rapidamente sobre as ineficiências e melhorar os processos de produção, embalamento, distribuição, transporte e venda dos produtos.
A integração do ERP com os equipamentos agrícolas e balanças, p.ex., permite a recolha automática de dados quantitativos e qualitativos, fundamentais para uma gestão do negócio em tempo real.
Note-se que os empresários agrícolas mais evoluídos já implementaram práticas de agricultura robotizada e de precisão, efetuam mapeamento digital dos terrenos e tiram partido da IOT para monitorizar aspetos como os movimentos do gado, a saúde do solo e os níveis de água.
No entanto, é preciso unificar todos os dados obtidos debaixo de um sistema agregador – o ERP – que permita coordenar, monitorizar e ajustar as práticas de gestão agrícola, através de mecanismos de inteligência artificial e análise preditiva.
Por todo o mundo, multiplicam-se os casos de sucesso que demonstram o impacto das novas tecnologias e sistemas de informação na produtividade e rentabilidade dos negócios agrícolas, tanto nas operações de campo como no back-office. Não restam muitas dúvidas que o caminho para a competitividade agrícola em grande escala passa por aqui.

Artigo por: Vida Rural