Não podemos falar de agricultura regenerativa sem olhar para a actividade agrícola mundial e perceber o que temos de regenerar?

Após anos de cultivo, os solos agrícolas evidenciam a pressão a que têm sido expostos – perda de nutrientes, compactação, fraca capacidade de retenção de água, entre outros. Para muitos agricultores, que valorizam a qualidade dos seus produtos, a sustentabilidade das suas operações e a cooperação entre produtores, a agricultura regenerativa pode ser o passo a dar. O Parlamento Europeu definiu que a Estratégia do Prado ao Prato deve “garantir o acesso à terra, a água potável e a solos saudáveis e avançar com um tipo de agricultura regenerativa”.

Degradação do solo

Fonte: drylandsystems.cgiar.org

A vontade de mudança não vem de agora

Foi na década de 70 que cresceram os primeiros movimentos de sistemas de agricultura alternativa, de produções familiares e de produtores independentes. A indignação entre a comunidade foi surgindo e tanto agricultores como consumidores alertavam para a quantidade de fertilizantes químicos e pesticidas aplicados no solo.

Com o tempo, a agricultura regenerativa passou de um movimento a uma prática agrícola, como também a agricultura biológica e a agroecologia. O termo foi introduzido por Medard Gabel (1979) e mais tarde desenvolvido por Robert Rodale (1983), estando agora bastante disseminado pela comunidade agrícola.

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Então o que caracteriza esta nova abordagem da agricultura?

É uma forma de agricultura sustentável que utiliza práticas agrícolas e de pastoreio por forma a restabelecer a qualidade do solo. As técnicas de regeneração do solo conduzem, entre outros, ao aumento das suas reservas de carbono que foi retirado da atmosfera. Em geral, os promotores da agricultura regenerativa acreditam que desta forma se pode reverter as alterações climáticas. Outros, apesar de verem muito potencial, não vão tão longe.

Do ponto de vista do agricultor-empreendedor, este é o tipo de agricultura que cuida do solo, contribuindo para boas colheitas e para a estabilidade do negócio.

Alguns dos princípios da agricultura regenerativa são:

  • Não lavrar o solo

  • Rejeitar a utilização de fertilizantes químicos (apenas composto)

  • Alternar e conjugar as plantas por oposição às monoculturas

  • Aplicar a rotatividade de culturas e pastoreio

  • Recorrer a plantas de cobertura do solo

plantas de cobertura do solo

Fonte: kisstheground.com

Estes sistemas de produção, permitem não só a recuperação do solo, mas também por exemplo, a retoma dos ciclos da água e de nutrientes, a biodiversidade abaixo e acima da terra e o sequestro de carbono atmosférico.

A importância da qualidade do solo tem ganho relevo e fundamentado a mudança para a produção  agrícola sustentável. Noutras partes do mundo, grandes empresas como a Danone ou a General Mills (das maiores produtoras de alimentos do mundo) investiram na agricultura regenerativa. As instituições governamentais junto com a comunidade científica estão a pesquisar e a certificar as operações. Contudo, ainda há trabalho por ser feito relativamente ao uso de pesticidas nestes sistemas regenerativos ou a questões de escala.

É cada vez mais evidente que o mundo tal como o conheciamos está a mudar. Com a população mundial a aumentar, a indústria alimentar enfrenta desafios como a produtividade e o desperdício, a qualidade das colheitas ou mesmo a sustentabilidade do negócio. Uma mudança de práticas agrícolas a nível mundial não acontece da noite para o dia. E nos processos de transição há sempre aqueles que saem prejudicados. Contudo, são também os consumidores que desejam uma mudança, e os produtores que melhor souberem responder às suas necessidades terão maiores hipóteses de sucesso.

Referências:

startup Portugal